Wilker rebate Wilson sobre respiradores e desafia ex-governador para debate ao vivo

Em vídeo publicado nas redes sociais, Wilson Lima contestou a narrativa sobre compra de respiradores em “loja de vinhos”; na Aleam, Wilker Barreto respondeu e voltou a citar a CPI da Saúde e documentos do caso.

A compra de equipamentos respiratórios pelo Governo do Amazonas durante a pandemia da Covid-19 voltou ao centro da disputa política. Em vídeo publicado nas redes sociais, o candidato ao Senado Wilson Lima (União Brasil) contestou a versão de que o Estado teria comprado respiradores em uma “loja de vinhos”. Já nesta quarta-feira (19), o deputado estadual Wilker Barreto (PSD) reagiu ao pronunciamento durante discurso na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e afirmou que o caso não pode ser tratado como “fake news”.

Wilson contesta versão sobre “loja de vinhos”

No vídeo divulgado por Wilson Lima, o ex-governador afirma que errou ao não ter respondido antes às críticas sobre o caso, que se arrasta desde 2020.

Segundo Wilson, os equipamentos foram adquiridos da empresa FJAP, que, de acordo com ele, tinha autorização para comercializar produtos médico-hospitalares e utilizava o nome fantasia Vineria Adega.

“Errei ao não ter dedicado tempo nas redes sociais para me defender quando essa fake news começou a circular, em 2020”, afirmou Wilson Lima, no vídeo divulgado por ele próprio.

Ainda segundo o candidato, a compra ocorreu em caráter emergencial, em um momento de escassez mundial de equipamentos hospitalares, e a prioridade da gestão era garantir rapidez na entrega.

“Se eu não tivesse comprado os respiradores com rapidez, hoje eu poderia ser considerado pelo povo e pela Justiça como um governador omisso”, declarou Wilson.

No mesmo vídeo, Wilson também rebateu uma fala atribuída à candidata Maria do Carmo (PL) sobre um suposto julgamento marcado para 2 de setembro. Segundo ele, nessa data a Justiça deve apenas apreciar um recurso da defesa, e não realizar um julgamento definitivo.

Wilker reage e diz que fatos foram apurados

A resposta veio nesta quarta-feira, durante pronunciamento de Wilker Barreto na Aleam. De acordo com a fala do deputado, o episódio foi amplamente discutido durante os trabalhos da CPI da Saúde, da qual ele participou como membro titular.

“Os fatos são robustos. As materialidades, inclusive, que foram usadas para a aceitação junto ao STJ foram produzidas pela comissão parlamentar de inquérito”, afirmou Wilker.

No discurso, Wilker criticou a tentativa de tratar o episódio como desinformação e afirmou que a população do Amazonas ainda guarda na memória o que ocorreu durante a crise sanitária.

“O nosso povo pagou com vidas a irresponsabilidade do vosso governo”, disse o parlamentar na tribuna da Aleam.

O deputado também afirmou, em sua fala, que aceitaria debater o assunto diretamente com Wilson Lima, desde que isso ocorresse em espaço público e ao vivo.

“O desafio está aceito. Mas tem que ser em praça pública, não em programas editados”, declarou Wilker.

Tipo de equipamento também entrou no debate

Outro ponto levantado por Wilker Barreto diz respeito à natureza dos equipamentos comprados à época.

Segundo o deputado, os aparelhos adquiridos não seriam respiradores convencionais, mas BiPAPs, e ele questionou a utilidade clínica desses equipamentos no tratamento da Covid-19. Até aqui, trata-se de uma contestação feita pelo deputado, dentro do embate político, e não de uma conclusão nova apresentada por esta reportagem.

Wilson Lima, por sua vez, manteve a versão de que a aquisição foi feita dentro de uma necessidade emergencial e com o objetivo de salvar vidas diante do colapso do sistema de saúde.

Caso volta ao debate em meio à campanha

A retomada do assunto ocorre em pleno período eleitoral e reforça como a pandemia segue sendo um dos temas mais sensíveis da política amazonense.

De um lado, Wilson tenta desconstruir uma das críticas mais marcantes feitas à sua gestão. Do outro, adversários e parlamentares voltam a usar o caso para questionar decisões tomadas pelo governo durante a crise da Covid-19.

A controvérsia em torno da compra dos equipamentos já havia sido objeto de investigação e debate público em anos anteriores, e agora retorna com força à campanha de 2026, impulsionada por vídeos, discursos e manifestações públicas de personagens centrais da política local.

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