Viadutos de Manaus viram galerias a céu aberto com arte produzida por mulheres

Projeto “Manaus em Cores: Arte que Protege” reúne artistas do graffiti e passa a integrar a revitalização de estruturas viárias da capital.

Os viadutos de Manaus começaram a ganhar uma nova identidade visual nesta quinta-feira (27). A Prefeitura lançou o projeto “Manaus em Cores: Arte que Protege”, iniciativa que coloca mulheres artistas no centro da produção de grandes painéis de graffiti e incorpora a arte urbana ao processo de revitalização de estruturas viárias da capital.

O primeiro espaço contemplado é o viaduto Dom Jackson Damasceno Rodrigues, onde artistas mulheres passaram a produzir obras que transformam pilares e áreas da estrutura em painéis de grande escala.

A proposta é desenvolvida pelo Conselho Municipal de Cultura (Concultura), em parceria com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), e pretende unir intervenções físicas, cultura e ocupação artística dos espaços públicos.

Mulheres assumem os painéis

Um dos diferenciais do projeto está na composição das equipes responsáveis pelas pinturas. As obras serão produzidas por mulheres que atuam no graffiti e na arte urbana de Manaus.

Além de modificar visualmente os viadutos, a iniciativa cria uma vitrine para artistas que já desenvolvem trabalhos na cidade e amplia a presença feminina em espaços tradicionalmente associados à cultura de rua.

A presidente do Concultura, Janayna Vasconcelos, afirmou que a proposta também busca aproximar diferentes áreas da administração municipal em torno da revitalização urbana.

“Este projeto demonstra, na prática, a diretriz do prefeito Renato Junior de promover a integração entre os órgãos municipais, somando esforços para transformar os viadutos da cidade por meio da arte e da cultura”, afirmou.

Segundo Janayna, a iniciativa também pretende estimular pertencimento e valorizar os profissionais locais envolvidos nas intervenções.

Infraestrutura ganha intervenção artística

O projeto passa a fazer parte do pacote de revitalização e modernização dos viadutos conduzido pela Prefeitura de Manaus.

Na prática, as obras de infraestrutura recebem uma nova camada de intervenção: além das melhorias físicas, os espaços passam a contar com pinturas e elementos ligados à identidade cultural da cidade.

Para o secretário municipal de Infraestrutura, Madson Rodrigues, a participação das artistas amplia o alcance da revitalização.

“É muito bonito ver uma força-tarefa tão importante para a transformação da cidade sendo protagonizada por mulheres. Estamos unindo infraestrutura, cultura e arte para deixar Manaus cada vez mais bonita, acolhedora e bem cuidada para a população”, declarou.

Experiências de décadas no graffiti

Entre as artistas envolvidas está Mia Montreal, que acumula mais de 20 anos de atuação na arte urbana.

Ela destacou que a presença feminina no graffiti de Manaus não é recente, mas que projetos públicos podem ampliar a visibilidade de trabalhos desenvolvidos há anos.

“Não é de hoje que estamos em cena. Temos mulheres trabalhando aqui com mais de 20 anos de carreira, mas hoje agradecemos muito por poder mostrar ainda mais o nosso trabalho junto à prefeitura”, afirmou.

A fala evidencia uma das características centrais do projeto: utilizar locais de grande circulação como espaço de exposição permanente para artistas da própria cidade.

Arte passa a fazer parte da paisagem urbana

Quem circula diariamente pelas regiões próximas aos viadutos também começa a acompanhar a transformação.

O auxiliar de manutenção Lucas Monteiro, de 26 anos, morador das proximidades do primeiro viaduto contemplado, avaliou que a combinação entre urbanização e produção cultural pode modificar a relação da população com esses espaços.

“A urbanização, a cultura e a arte estão sendo valorizadas. Como morador das proximidades, estou achando uma ótima iniciativa e vejo que também é uma grande oportunidade para as mulheres mostrarem o talento delas”, afirmou.

Com o avanço do “Manaus em Cores: Arte que Protege”, os viadutos deixam de funcionar apenas como estruturas de mobilidade urbana e passam também a servir como suporte para manifestações culturais.

A expectativa é que as intervenções transformem pontos presentes diariamente no trajeto de milhares de manauaras em galerias abertas, integradas à paisagem da cidade e à produção artística local.

Fotos – João Viana / Semcom, Iury Coelho e Luiz Felipe/ Seminf

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