Teatro Amazonas conquista título de Patrimônio Mundial da Unesco

Reconhecimento internacional inclui também o Theatro da Paz, em Belém, e transforma os dois monumentos no primeiro Patrimônio Mundial Cultural da Região Norte.
Foto: Reprodução Redes Sociais

O Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, passaram a integrar oficialmente a Lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a Unesco. A candidatura conjunta, denominada “Teatros da Amazônia”, foi aprovada nesta segunda-feira, 27 de julho, durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Busan, na Coreia do Sul.

O reconhecimento coloca os dois monumentos entre os bens considerados de valor universal excepcional e representa um marco para a cultura amazônica. Segundo a Unesco, o conjunto é formado também pelo Largo de São Sebastião, no Centro Histórico de Manaus, e pela Praça da República, em Belém.

Com a decisão, os Teatros da Amazônia tornam-se o primeiro Patrimônio Mundial Cultural localizado na Região Norte do Brasil. O título amplia a projeção internacional dos dois espaços e reforça a responsabilidade dos governos e da sociedade na preservação dos prédios históricos e de seus entornos.

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

As informações foram divulgadas pela repórter Fabíola Sinimbú, da Agência Brasil, e confirmadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan. A instituição coordenou a elaboração do dossiê brasileiro em parceria com o Ministério das Relações Exteriores, governos estaduais e prefeituras de Manaus e Belém.

Símbolos do ciclo da borracha

Construídos no fim do século XIX, o Teatro Amazonas e o Theatro da Paz representam o período de maior crescimento econômico das duas principais cidades da Amazônia durante o ciclo da borracha.

A prosperidade provocada pela extração e pela comercialização do látex financiou grandes obras urbanas, atraiu profissionais estrangeiros e aproximou Manaus e Belém de modelos arquitetônicos utilizados em importantes cidades europeias.

Apesar das semelhanças históricas, os teatros foram inaugurados com 18 anos de diferença. O Theatro da Paz abriu as portas em 1878, enquanto o Teatro Amazonas foi inaugurado em 31 de dezembro de 1896.

A ligação entre os dois monumentos foi um dos fundamentos da candidatura conjunta. Para a Unesco, os espaços simbolizam as transformações urbanas, culturais e políticas vividas pela região durante a chamada era de ouro da economia da borracha.

Teatro Amazonas preserva arquitetura histórica

Localizado no Largo de São Sebastião, no Centro de Manaus, o Teatro Amazonas é um dos principais cartões-postais do estado. O projeto começou a ser discutido ainda na década de 1880, mas enfrentou impasses financeiros e dificuldades relacionadas à execução da obra.

A construção foi coordenada pelo arquiteto italiano Celestial Sacardim e utilizou materiais importados da Europa. Entre os elementos mais conhecidos está a cúpula formada por aproximadamente 36 mil peças coloridas, organizadas em referência à bandeira brasileira.

[FOTO 2 – Detalhe da cúpula do Teatro Amazonas, com o Centro Histórico ao fundo]

O interior apresenta elementos neoclássicos e características de diferentes estilos arquitetônicos. O artista pernambucano Crispim do Amaral participou da decoração, enquanto o italiano Domenico de Angelis foi responsável por trabalhos no Salão Nobre, incluindo a obra “A Glorificação das Bellas Artes na Amazônia”.

Grande parte da estrutura e dos elementos decorativos originais permanece preservada. O Teatro Amazonas já era reconhecido como Patrimônio Histórico Nacional pelo Iphan desde 1966.

Theatro da Paz foi inaugurado primeiro

O Theatro da Paz, localizado em Belém, foi inaugurado em 1878 e é considerado o primeiro grande teatro de ópera da Amazônia. O projeto foi elaborado pelo engenheiro José Tibúrcio Pereira Magalhães, com inspiração em teatros europeus, especialmente o Teatro alla Scala, de Milão.

A construção começou em 1869, mas a inauguração foi adiada devido a questionamentos sobre custos e à abertura de uma investigação relacionada à obra.

O prédio combina referências neoclássicas com elementos amazônicos. Sua estrutura foi projetada para apresentações líricas e possui fosso para orquestra, recurso que contribui para a distribuição do som dentro da sala de espetáculos.

Foto: Tânia Rego / Agência Brasil

Reconhecimento deve ampliar preservação e turismo

O título da Unesco não representa apenas uma homenagem. A inclusão na Lista do Patrimônio Mundial exige a manutenção de políticas permanentes de conservação, acompanhamento técnico e proteção das áreas próximas aos monumentos.

Na prática, o reconhecimento pode fortalecer projetos de restauração, ampliar a visibilidade turística de Manaus e Belém e facilitar a cooperação com instituições nacionais e internacionais voltadas à preservação do patrimônio histórico.

A candidatura foi formalizada pelo Brasil em janeiro de 2025. Desde então, equipes técnicas analisaram a arquitetura, o estado de conservação, a gestão dos espaços e a relação dos teatros com o desenvolvimento urbano das duas capitais.

Para Manaus, a aprovação consolida o Teatro Amazonas não apenas como símbolo do estado, mas como patrimônio relevante para toda a humanidade. O monumento passa a dividir o reconhecimento internacional com locais brasileiros como Brasília, Ouro Preto, os centros históricos de Salvador e São Luís e o Complexo de Conservação da Amazônia Central.

Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.

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