São Paulo confirma 23 casos de sarampo e alerta para baixa vacinação

Dos pacientes diagnosticados, 16 não estavam vacinados ou tinham esquema incompleto; Saúde ampliou vacinação em áreas com risco de transmissão.
Foto: Divulgação

O estado de São Paulo já contabiliza 23 casos confirmados de sarampo, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde. Entre os pacientes diagnosticados, 16 não tinham registro de vacinação ou estavam com o esquema vacinal incompleto, cenário que acendeu o alerta das autoridades sanitárias para o risco de novos casos.

As informações foram divulgadas pela repórter Camila Boehm, da Agência Brasil, nesta sexta-feira (7).

Dos 23 registros confirmados, 20 ocorreram na capital paulista, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. Dois casos são considerados importados, enquanto os demais possuem relação epidemiológica com essas infecções iniciais.

Saúde amplia vacinação em três cidades

Diante do risco de circulação do vírus, a Secretaria de Saúde convocou moradores de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, com idade entre 6 meses e 59 anos, para receber a vacina contra o sarampo.

Nessas cidades, a recomendação vale independentemente do histórico anterior de vacinação, desde que a pessoa não tenha contraindicação para receber o imunizante.

A população deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para receber orientação e verificar a necessidade da dose.

Segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo, a estratégia de vacinação ampliada foi adotada devido ao risco de disseminação da doença.

Nos demais municípios paulistas, a orientação é reforçar a conferência das carteiras de vacinação, realizar busca ativa de pessoas com doses atrasadas e atualizar os esquemas conforme as regras previstas no Calendário Nacional de Vacinação.

Sarampo pode se espalhar rapidamente

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, explicou à Agência Brasil que o sarampo está entre as doenças infecciosas de maior capacidade de transmissão.

Partículas do vírus liberadas durante tosse, espirros ou até mesmo pela fala podem permanecer suspensas no ambiente mesmo depois que a pessoa infectada deixa o local.

Outro fator que dificulta o controle é que uma pessoa com sarampo pode transmitir o vírus antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas.

Segundo Kfouri, que também preside a Câmara Técnica para a Eliminação do Sarampo do Ministério da Saúde, um único caso pode gerar entre 16 e 18 novas infecções entre pessoas não vacinadas.

Cobertura ideal é superior a 95%

Para impedir a retomada da circulação do sarampo, especialistas defendem coberturas vacinais elevadas.

A meta considerada ideal é manter mais de 95% da população-alvo imunizada, além de uma vigilância eficiente para localizar rapidamente casos suspeitos e interromper eventuais cadeias de transmissão.

O especialista alertou que o Brasil ainda precisa avançar para atingir esse patamar de maneira consistente.

Doença pode provocar complicações graves

O sarampo costuma provocar sintomas como febre, manchas avermelhadas pelo corpo, tosse, irritação nos olhos e mal-estar. Em determinadas situações, porém, a infecção pode evoluir para quadros mais graves.

Entre as complicações estão pneumonia e encefalite, além da chamada amnésia imunológica, fenômeno no qual a infecção prejudica parte da memória de defesa do organismo contra outras doenças.

Isso significa que, mesmo depois da recuperação do sarampo, o paciente pode permanecer temporariamente mais vulnerável a outras infecções.

O avanço dos casos em São Paulo reforça a importância da vacinação como principal instrumento de prevenção, especialmente em regiões onde já existe transmissão associada aos casos identificados.

Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.

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