Projeto selecionará quatro territórios para integrar rede nacional de afroturismo

Iniciativas ligadas à preservação da memória e da cultura afro-brasileiras podem se inscrever até 3 de outubro; resultado será divulgado no dia 22 do mesmo mês.
Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

Territórios que desenvolvem ações de preservação da memória, da história e da cultura afro-brasileiras poderão disputar uma das quatro vagas oferecidas pelo projeto Rede Memória Viva. O edital está com inscrições abertas até o dia 3 de outubro e pretende ampliar a visibilidade de iniciativas vinculadas à ancestralidade africana em diferentes regiões do Brasil.

De acordo com reportagem da Agência Brasil, assinada por Alice Rodrigues, sob supervisão da jornalista Tâmara Freire, os territórios escolhidos serão anunciados no dia 22 de outubro. O processo de inscrição e as regras de participação estão disponíveis no site oficial da iniciativa.

O projeto busca identificar locais que mantêm viva a herança africana no país e que podem ser fortalecidos por meio do afroturismo, modalidade que valoriza destinos, comunidades, manifestações culturais e espaços relacionados à história e à identidade da população negra.

Formação e desenvolvimento de projetos

Os quatro territórios selecionados participarão de um processo de fortalecimento institucional. A programação prevê formações, desenvolvimento de projetos e elaboração de estratégias voltadas ao turismo de base comunitária, à economia da cultura e à ampliação das atividades realizadas em cada localidade.

A proposta é ajudar as iniciativas a organizar suas ações, aumentar a capacidade de divulgação e criar condições para receber visitantes sem deixar de preservar as características culturais e sociais das comunidades envolvidas.

O turismo de base comunitária se diferencia dos roteiros convencionais porque coloca os moradores no centro da atividade. São as próprias comunidades que ajudam a definir como os visitantes serão recebidos, quais experiências serão oferecidas e de que forma os recursos movimentados pelo turismo poderão beneficiar o território.

Mapeamento nacional

A Rede Memória Viva faz parte das ações do Consórcio Viva Pequena África, formado pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap), pela plataforma Diáspora.Black e pela Feira Preta.

Além da seleção prevista no edital, a iniciativa realiza um mapeamento nacional de experiências dedicadas à preservação da herança africana no Brasil. O levantamento inclui quilombos, comunidades tradicionais, museus comunitários, centros culturais, organizações da sociedade civil e outros espaços ligados à cultura negra.

A expectativa é reunir informações sobre essas iniciativas e criar uma rede capaz de ampliar o reconhecimento dos territórios, facilitar parcerias e estimular a circulação de visitantes interessados em conhecer a contribuição da população negra para a formação histórica, social e cultural do país.

Afroturismo como geração de renda

Além de preservar a memória, o afroturismo pode contribuir para a geração de renda em comunidades que historicamente permaneceram fora dos principais circuitos turísticos. A atividade pode movimentar serviços como alimentação, hospedagem, transporte, artesanato, apresentações culturais e visitas guiadas.

Ao valorizar narrativas contadas pelos próprios moradores, esse tipo de turismo também oferece ao público uma compreensão mais ampla sobre episódios, personagens e tradições que nem sempre recebem espaço nos roteiros convencionais.

Com a seleção dos quatro territórios, o projeto pretende transformar experiências locais em referências nacionais, fortalecendo tanto a preservação cultural quanto o desenvolvimento econômico das comunidades participantes.

Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.

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