PF faz buscas contra senador Weverton Rocha em investigação sobre fraudes no INSS

Operação Sem Desconto apura suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras relacionadas ao esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. Senador nega irregularidades e atribui ação a motivação política.
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

A Polícia Federal cumpriu, nesta terça-feira (4), mandados de busca e apreensão relacionados ao senador Weverton Rocha (PDT-MA) durante uma nova etapa da Operação Sem Desconto, investigação que apura possíveis fraudes e lavagem de dinheiro envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Ao todo, foram executadas 18 ordens judiciais em endereços localizados no Maranhão e no Distrito Federal. As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

As informações foram divulgadas inicialmente em reportagem do jornalista Pedro Peduzzi, da Agência Brasil.

PF apura movimentações financeiras e patrimoniais

De acordo com a Polícia Federal, os investigadores identificaram indícios de operações realizadas por meio de pessoas físicas, empresas, contas bancárias pertencentes a terceiros e pagamentos em dinheiro vivo.

A apuração busca determinar se essa estrutura teria sido utilizada para ocultar a origem, a movimentação ou o destino de recursos relacionados ao esquema investigado.

Na representação enviada ao Supremo, a PF afirma que Weverton Rocha apareceria nas investigações como responsável por apresentar demandas, indicar possíveis beneficiários, acompanhar pagamentos e repasses, além de tratar de questões envolvendo imóveis e decisões patrimoniais.

As referências constam na investigação e ainda serão submetidas às etapas de apuração, manifestação das defesas e análise do Poder Judiciário. O cumprimento de mandados de busca não representa condenação ou comprovação definitiva de participação em crime.

Advogado é apontado como figura central da estrutura investigada

Outro nome citado pela Polícia Federal é o advogado Willer Tomaz de Souza. Segundo os investigadores, ele teria posição relevante na estrutura financeira examinada pela operação.

A apuração envolve empresas, propriedades, aeronaves, operadores financeiros e pessoas com atuação política. Familiares do senador, empresários e escritórios de advocacia também estão entre os alvos das medidas de busca e apreensão.

Conforme a reportagem da Agência Brasil, a esposa do parlamentar, Samya Rocha, teria recebido mais de R$ 11 milhões provenientes de empresas relacionadas ao advogado. Os investigadores apuram a origem, a finalidade e a regularidade desses pagamentos.

O ministro André Mendonça considerou que os elementos apresentados pela investigação eram suficientes para autorizar as diligências. Na decisão, o magistrado mencionou a existência de uma possível relação temporal entre comunicações, aportes financeiros e cobranças identificadas durante a apuração.

Operação investiga descontos em aposentadorias e pensões

A Operação Sem Desconto foi criada para investigar um esquema de cobranças não autorizadas em benefícios pagos pelo INSS. As apurações incluem entidades associativas, intermediários, agentes públicos, empresários e operadores financeiros.

Em uma fase anterior, realizada em dezembro de 2025, o STF autorizou prisões e outras medidas cautelares contra investigados por suspeitas de fraude, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial. Na ocasião, um pedido de prisão preventiva contra Weverton Rocha não foi acolhido porque, segundo o Supremo, não havia provas consolidadas suficientes para a medida.

A nova etapa tenta esclarecer como os recursos teriam circulado, quem seriam os responsáveis pelas movimentações e quais pessoas teriam sido beneficiadas.

Senador nega irregularidades e fala em motivação política

Em nota, Weverton Rocha afirmou ter recebido a operação com tranquilidade e declarou que não tem nada a esconder. O senador, porém, classificou a investigação como politicamente motivada.

Ele também disse ter sido surpreendido pela inclusão de familiares e apoiadores políticos entre os alvos das medidas.

Segundo o parlamentar, as movimentações financeiras citadas no processo decorreriam de atividades profissionais e empresariais e teriam sido devidamente informadas à Receita Federal.

A Polícia Federal informou que as investigações continuam para identificar a origem e o destino dos recursos, esclarecer a finalidade dos repasses e individualizar as eventuais condutas de cada investigado.

Até o momento, não há condenação contra o senador no âmbito dessa investigação.

Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.

Leia mais