Petrobras mira Gana e amplia ofensiva por novas áreas de petróleo na África

Estatal brasileira foi habilitada a negociar contratos para quatro blocos marítimos e poderá passar a atuar em quatro países africanos.
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

A Petrobras deu mais um passo para ampliar sua presença internacional e anunciou, nesta sexta-feira (21), interesse em explorar petróleo e gás em Gana, na costa Oeste da África. A estatal foi habilitada pelo governo ganês a negociar contratos envolvendo quatro blocos offshore na Bacia de Keta.

As informações são do repórter Bruno de Freitas Moura, da Agência Brasil, com base em comunicado divulgado pela Petrobras aos investidores.

A movimentação integra a estratégia da companhia de buscar novas fronteiras exploratórias, em um momento no qual a estatal procura ampliar suas reservas e reduzir a dependência futura da produção do pré-sal.

Negociação entra em nova fase

Segundo a Petrobras, o Ministério de Energia e Transição Verde de Gana aprovou a habilitação da companhia para avançar nas tratativas relacionadas aos quatro blocos.

A autorização, porém, ainda não representa o início da exploração. A estatal passa agora para a etapa de negociação direta dos termos dos contratos, que antecede a eventual participação efetiva nos projetos.

As áreas ficam no mar, dentro da Bacia de Keta, região que passa a integrar o radar internacional da companhia.

Petrobras avança na África

Caso as negociações em Gana sejam concluídas, o país se juntará a Namíbia, São Tomé e Príncipe e África do Sul entre as frentes de atuação da Petrobras no continente africano.

Em São Tomé e Príncipe, a empresa participa de quatro blocos exploratórios. Três deles são operados pela Shell.

Na África do Sul, a estatal brasileira possui participação no bloco Deep Western Orange Basin (Dwob), cuja operação está sob responsabilidade da TotalEnergies.

Já na Namíbia, a Petrobras assinou contrato para adquirir participação no Bloco 2613, mas a entrada ainda depende de confirmação pelas autoridades do país. Se aprovada, a operação também ficará sob comando da TotalEnergies.

Fora da África, a Petrobras mantém atividades em países como Argentina, Bolívia, Colômbia e Estados Unidos. Em junho deste ano, a companhia também firmou entendimento para uma cooperação estratégica e técnica com a estatal mexicana Pemex, com foco no Golfo do México.

Busca por novas reservas

A expansão internacional ocorre paralelamente ao avanço da Petrobras sobre outra área considerada estratégica: a Margem Equatorial brasileira, localizada no litoral Norte do país.

Nesta semana, a companhia detalhou os primeiros indícios de petróleo encontrados no poço Morpho, situado no bloco BM-FZA-59, a aproximadamente 175 quilômetros de Oiapoque, no Amapá, e cerca de 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas.

Os trabalhos de perfuração continuam para avaliar o tamanho e a capacidade do reservatório, enquanto análises laboratoriais buscam determinar as características do óleo encontrado.

A procura por novas áreas ganha importância diante da expectativa da própria Petrobras de que a produção do pré-sal possa atingir seu pico e começar a perder força por volta de 2034, caso não sejam incorporadas novas reservas.

Atualmente, o pré-sal concentra mais de 83% da produção própria de petróleo e gás da companhia, desconsiderando as parcelas pertencentes às demais empresas que participam dos consórcios.

Nesse cenário, a possível entrada em Gana amplia a estratégia da Petrobras de diversificar suas áreas de exploração e construir alternativas para sustentar a produção da companhia nas próximas décadas.

Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.

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