A pandemia da Covid-19 voltou ao debate político nesta semana após a candidata a vice-governadora Dra. Shádia, que comandou a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa) durante parte da crise sanitária, publicar um vídeo relembrando os desafios enfrentados naquele período.
Mais do que um relato pessoal, a publicação chama atenção para um dos momentos mais difíceis vividos pela saúde pública da capital amazonense: unidades pressionadas, profissionais afastados por contaminação, necessidade de reorganizar serviços e uma operação de vacinação que exigiu mobilização em larga escala.
Rede municipal enfrentou afastamento de milhares de servidores
Segundo o relato divulgado pela campanha, mais de 2,5 mil servidores da saúde municipal chegaram a ficar afastados após serem acometidos pela Covid-19.
O cenário afetava diretamente a capacidade de atendimento em um momento em que a procura por serviços de saúde aumentava.
Também havia unidades com funcionamento comprometido, o que exigiu redistribuição de equipes, reorganização de escalas e abertura de novas frentes de atendimento.
Dra. Shádia afirmou que, ao assumir a Semsa, uma das primeiras preocupações era justamente reorganizar essa estrutura.
“A primeira coisa foi ver de que forma eu poderia reordenar e reorganizar para a gente abrir mais frentes de atendimento”, relatou.
A fala ajuda a dimensionar a pressão administrativa provocada pela crise sanitária sobre a rede municipal.
Profissionais também enfrentavam desgaste emocional
Outro aspecto destacado no relato foi o impacto da pandemia sobre os próprios trabalhadores da saúde.
Além das longas jornadas, médicos, enfermeiros, técnicos e demais profissionais conviviam diariamente com pacientes graves, perdas de colegas e familiares e risco constante de contaminação.
Segundo Dra. Shádia, houve momentos em que o desafio deixou de ser apenas operacional e passou também pela necessidade de manter as equipes mobilizadas.
“Chegou um tempo em que meu maior desafio era motivar a minha equipe, porque, do lado de cá, eu perdia entes queridos e eles também”, afirmou.
Vacinação mudou a dinâmica da resposta à pandemia
Com a chegada das vacinas contra a Covid-19, a estratégia de enfrentamento à doença entrou em uma nova fase.
A rede municipal precisou organizar pontos de vacinação, ampliar equipes e acelerar a aplicação das doses em diferentes regiões da cidade.
No vídeo divulgado nesta semana, Dra. Shádia destacou que Manaus chegou à marca de um milhão de doses aplicadas, número utilizado por ela para avaliar positivamente a estratégia adotada naquele momento.
“Meu Deus do céu, a ciência venceu. Graças a Deus, a ciência venceu”, declarou.
A campanha de imunização representou uma mudança importante no combate à doença, mas ocorreu depois de meses de forte pressão sobre hospitais, unidades básicas e profissionais da linha de frente.
Pandemia deixou marcas na saúde pública
Anos depois da fase mais crítica da Covid-19, os relatos daquele período ainda ajudam a entender os impactos que a pandemia deixou sobre o sistema de saúde.
A crise evidenciou problemas de capacidade, necessidade de planejamento emergencial, importância da atenção básica e dependência de equipes preparadas para responder rapidamente a situações de grande escala.
Também reforçou a importância de políticas de vacinação, estrutura hospitalar, organização da rede e proteção dos profissionais de saúde.

Tema retorna em meio à campanha eleitoral
O assunto reaparece agora em plena campanha eleitoral, mas o episódio ultrapassa a disputa política.
Dra. Shádia integra atualmente a chapa de David Almeida ao Governo do Amazonas e utilizou o vídeo para recordar sua experiência na gestão municipal.
Ainda assim, a principal relevância do relato está no período histórico que ele recupera: uma crise sanitária que afetou diretamente milhares de famílias e colocou a estrutura de saúde de Manaus sob forte pressão.
A pandemia permanece, portanto, como referência importante para avaliar a capacidade de resposta do poder público diante de novas emergências sanitárias.



