As mortes provocadas por sinistros de trânsito cresceram 42,8% no Amazonas entre 2019 e 2024, período marcado pela pandemia de Covid-19 e pela posterior retomada da circulação de pessoas e mercadorias. Entre 2023 e 2024, o avanço registrado no estado foi de 29,8%.
Os números integram o Atlas da Violência 2026, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em uma comparação mais longa, entre 2014 e 2024, a alta da mortalidade no trânsito amazonense chegou a 21,7%.
O cenário mostra que a redução observada durante o período de restrições sanitárias não se manteve após a retomada das atividades econômicas. Com mais veículos circulando e o crescimento do uso de motocicletas para deslocamento e trabalho, as mortes voltaram a avançar.

Brasil registrou mais de 37 mil mortes
Em todo o país, 37.150 pessoas morreram em ocorrências de trânsito em 2024. O total representa quase 5 mil mortes a mais do que em 2019, último ano completo antes da pandemia.
A taxa nacional chegou a 17,5 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, retornando ao patamar observado em meados da década passada. O indicador permanece abaixo dos recordes superiores a 20 mortes por 100 mil habitantes, mas voltou a apresentar uma trajetória de crescimento.
O índice brasileiro também continua distante do registrado em países desenvolvidos, onde as taxas geralmente ficam abaixo de 5 mortes para cada 100 mil habitantes.
Os maiores aumentos recentes foram observados nos estados das regiões Norte e Nordeste. De acordo com os pesquisadores, o fenômeno está relacionado a fatores como o crescimento da frota de motocicletas, a dependência desse tipo de transporte e as dificuldades de investimento em infraestrutura, fiscalização e educação no trânsito.
Motocicletas concentram as fatalidades
As motocicletas se tornaram o principal vetor da mortalidade viária no Brasil. Em 2024, esse tipo de veículo esteve envolvido em 41,6% das mortes registradas no trânsito brasileiro.
Entre 2019 e 2024, os óbitos envolvendo motocicletas aumentaram 38%, passando de 11.182 para 15.459. Somente entre 2023 e 2024, foram registradas 1.982 mortes adicionais de motociclistas.
A participação atual representa uma mudança significativa em relação ao início dos anos 2000, quando as motos estavam relacionadas a menos de 5% das mortes no trânsito.
A expansão do transporte por motocicleta ocorre principalmente entre trabalhadores de menor renda e em regiões com oferta limitada de transporte coletivo. O crescimento dos serviços de entrega e do transporte de passageiros por aplicativos também aumentou a exposição dos condutores.

O estudo chama atenção para jornadas prolongadas, pressão por produtividade e falta de proteção social. Esses fatores aumentam o tempo de permanência dos motociclistas nas ruas e, consequentemente, o risco de colisões e atropelamentos.
No Piauí, por exemplo, as motocicletas estiveram relacionadas a 72,7% das mortes no trânsito. Em Pernambuco, a participação ficou acima de 59%.
Alta exige ações de prevenção
No Amazonas, a elevação de 42,8% em cinco anos reforça a necessidade de medidas direcionadas especialmente aos motociclistas. As ações incluem fiscalização de velocidade e consumo de álcool, melhoria da sinalização, manutenção das vias e campanhas permanentes de conscientização.
O avanço também pressiona os serviços públicos de saúde. Mesmo quando não provocam mortes, colisões envolvendo motociclistas podem resultar em internações prolongadas, cirurgias, afastamento do trabalho e sequelas permanentes.
A tendência observada desde o fim da pandemia indica que o desafio não está apenas no comportamento dos condutores. A redução das mortes depende também de planejamento urbano, transporte coletivo acessível, infraestrutura segura e proteção aos profissionais que trabalham sobre duas rodas.

Manaus é a 7ª em roubos e furtos de celulares
Outro dado envolvendo o Amazonas aparece no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Manaus ocupa a 7ª posição entre os municípios brasileiros com as maiores taxas de roubos e furtos de celulares. A capital registrou 1.107,1 aparelhos subtraídos para cada grupo de 100 mil habitantes em 2025.
O ranking considera cidades com mais de 100 mil moradores. Manaus aparece atrás de São Luís, Belém, São Paulo, Salvador, Lauro de Freitas e Porto Velho.
Das 20 cidades com as maiores taxas, seis estão na Região Norte: Manaus, Belém, Porto Velho, Ananindeua, Marituba e Macapá.
Segundo o estudo, esse tipo de crime está concentrado principalmente nas capitais e em municípios de regiões metropolitanas, locais com maior circulação de pessoas e mais oportunidades para a atuação dos criminosos. Dos 20 municípios que lideram o ranking, 14 são capitais.


