Mendonça autoriza PF a investigar R$ 61 milhões ligados a filme de Bolsonaro

Inquérito vai apurar a origem e o destino de recursos atribuídos a Daniel Vorcaro para financiar a produção cinematográfica “Dark Horse”.
Foto: Carlos Moura / SCO / STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (23) a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar repasses milionários destinados ao filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A apuração deverá analisar transferências atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para empresas e pessoas envolvidas na produção do longa-metragem. O valor mencionado nas informações que deram origem ao caso chega a aproximadamente R$ 61 milhões.

A decisão de Mendonça atende a uma solicitação apresentada pela própria Polícia Federal e contou com manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). As informações foram divulgadas pelos repórteres Alex Rodrigues e André Richter, da Agência Brasil.

Áudios revelaram pedido de financiamento

O caso ganhou repercussão em maio, depois que o site The Intercept Brasil divulgou áudios de uma conversa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro.

Segundo a publicação, Flávio teria solicitado recursos ao empresário para financiar as gravações da cinebiografia de seu pai. Os repasses teriam ocorrido entre fevereiro e maio de 2025 e alcançado cerca de R$ 61 milhões.

Após a divulgação das gravações, o senador confirmou a conversa, mas negou a existência de qualquer vantagem indevida. Flávio afirmou que os valores destinados ao projeto eram de origem privada e teriam sido encaminhados exclusivamente para a produção cinematográfica.

A investigação não representa uma conclusão sobre eventual prática criminosa. A abertura do inquérito permite que a PF reúna documentos, analise movimentações financeiras e identifique os beneficiários e a destinação efetiva dos recursos.

PF quer rastrear o destino do dinheiro

Entre os pontos que poderão ser esclarecidos estão a origem dos valores, o caminho percorrido pelas transferências e a compatibilidade dos gastos com o orçamento e as atividades relacionadas ao filme.

A Polícia Federal também poderá solicitar dados bancários, contratos, registros empresariais e informações sobre fundos ou companhias envolvidas nas operações, desde que as diligências sejam autorizadas judicialmente quando exigido pela legislação.

Reportagens anteriores apontaram que os investigadores demonstraram interesse em verificar se todo o dinheiro foi efetivamente utilizado na produção de “Dark Horse” ou se parte dos recursos teve outra destinação. As pessoas mencionadas negam irregularidades.

Caso chegou ao Supremo por diferentes caminhos

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) também havia solicitado ao Supremo a abertura de uma investigação. A representação foi apresentada após a publicação das conversas envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro.

Inicialmente, houve discussão sobre qual ministro seria responsável pelo caso. Em junho, o presidente do STF, Edson Fachin, definiu que André Mendonça deveria assumir a relatoria, por já conduzir procedimentos relacionados ao Banco Master e a Daniel Vorcaro.

Mendonça é o relator de investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o banco. A operação já resultou em prisões, buscas e apreensões e outras medidas cautelares autorizadas pelo Supremo.

Produtora não havia se manifestado

A produção de “Dark Horse” é atribuída à empresa Up Entertainment. Até a publicação da reportagem original da Agência Brasil, a produtora ainda não havia apresentado posicionamento sobre a abertura do inquérito.

O filme, ainda sem lançamento comercial informado, pretende retratar episódios da vida pessoal e política de Jair Bolsonaro.

Com a autorização do STF, caberá agora à Polícia Federal definir as primeiras diligências e apresentar ao relator os resultados obtidos. Somente após o avanço das investigações será possível determinar se houve alguma irregularidade nos repasses ou na utilização do dinheiro.

Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.

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