Manaus inicia vacinação antirrábica e quer imunizar mais de 282 mil cães e gatos

Campanha terá vacinação de casa em casa, postos fixos e apoio de clínicas veterinárias até 30 de novembro; animais precisam ter pelo menos três meses e estar saudáveis.
Foto: Divulgação / Semsa

A campanha de vacinação antirrábica de 2026 começa a avançar pelas áreas urbana e rural terrestre de Manaus com a meta de imunizar 282,4 mil animais, entre cães e gatos. A partir desta quinta-feira (3), equipes do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) Dr. Carlos Durand iniciarão visitas de casa em casa para ampliar a cobertura contra a raiva na capital.

Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Manaus, em material produzido pela jornalista Eurivânia Galúcio, da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), a meta deste ano prevê a vacinação de 202,4 mil cães e 80 mil gatos.

Para receber o imunizante, o animal precisa ter pelo menos três meses de idade e apresentar boas condições de saúde.

Vacinação segue até novembro

As etapas urbana e rural terrestre da campanha seguem até 30 de novembro. Além das equipes que percorrerão os bairros, a população poderá procurar pontos fixos disponibilizados pelo município.

Um deles funciona na sede do CCZ, na avenida Brasil, no bairro Compensa, zona Oeste, de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h, e aos sábados, das 8h às 12h.

Outro ponto está instalado no Centro de Convivência Prefeito José Fernandes, na rua Barreirinha, nº 14, quadra 45, São José Operário 3, zona Leste, com atendimento de segunda-feira a sábado, das 8h às 12h.

Na zona Norte, a vacinação também estará disponível na feira municipal Padre Rogério Ruvoletto, na rua Samambaia, nº 97, Santa Etelvina, de segunda-feira a sábado, das 8h às 12h.

O CCZ informou ainda que pretende contar inicialmente com 20 clínicas e consultórios veterinários parceiros, ampliando os locais onde os tutores poderão vacinar os animais.

Quase 300 profissionais participam da operação

Antes do início das visitas domiciliares, a Semsa reuniu nesta terça-feira (1º) os profissionais responsáveis pela campanha para um treinamento operacional.

Foram contratados temporariamente 270 vacinadores e registradores, além de 12 auxiliares de base e campo, cinco médicos veterinários e oito tabuladores.

Pela primeira vez, médicos veterinários contratados especificamente para a campanha serão distribuídos entre os cinco Distritos de Saúde de Manaus — Norte, Sul, Leste, Oeste e Rural.

Esses profissionais ficarão responsáveis por atividades como acompanhamento das equipes, controle das vacinas, treinamento, fiscalização e atendimento a eventuais ocorrências técnicas.

Foto: Divulgação/Semsa

As equipes trabalharão de segunda-feira a sábado, principalmente no período da manhã, e estarão identificadas com camisas da campanha durante as visitas aos imóveis.

A Semsa orienta que a contenção do cão ou gato seja feita pelo próprio responsável pelo animal, reduzindo o risco de acidentes durante a aplicação do imunizante.

Manaus está há mais de 40 anos sem caso humano

A vacinação dos animais é considerada uma das principais barreiras contra a transmissão da raiva para seres humanos.

Manaus não registra caso de raiva humana desde 1985. No entanto, a ausência de registros recentes em pessoas não significa que o risco tenha desaparecido.

Em 2025, o CCZ identificou um caso de raiva em um morcego não hematófago, capturado nas proximidades do Centro de Manaus. O episódio confirmou a circulação do vírus na cidade.

A vigilância também leva em consideração a proximidade da área urbana com regiões de mata, onde morcegos e primatas podem atuar como transmissores.

No Amazonas, os últimos casos humanos citados pela Semsa ocorreram em 2017, em Barcelos, quando três pessoas foram infectadas e duas morreram. Naquela ocorrência, a transmissão esteve associada a morcego.

O que fazer após mordida ou arranhão

A raiva é provocada por um vírus que compromete o sistema nervoso central e pode ser transmitido principalmente por meio de mordidas, arranhões ou contato da saliva de um animal infectado com ferimentos ou mucosas.

Nos casos de agressão por cães, gatos ou animais silvestres, a recomendação é lavar imediatamente a região atingida com água e sabão e procurar atendimento médico.

A rede municipal possui 21 unidades de saúde de referência para profilaxia antirrábica.

Após avaliação, o paciente pode receber vacinação, ter indicação de acompanhamento do animal agressor por dez dias ou, dependendo da situação, precisar de soro antirrábico em unidade hospitalar.

A orientação também vale para possíveis contatos com morcegos. Segundo a Semsa, até mesmo situações em que uma pessoa acorde e encontre um morcego dentro do quarto devem ser avaliadas por uma equipe de saúde diante da possibilidade de exposição.

Entre janeiro e julho de 2026, Manaus contabilizou 2.669 atendimentos relacionados à profilaxia antirrábica, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). No mesmo período de 2025, foram registrados 5.265 atendimentos.

Campanha também alcança comunidades rurais

A estratégia de vacinação é dividida entre as áreas urbana, rural terrestre e rural fluvial.

A etapa fluvial começou em abril, utilizando também a estrutura das Unidades Básicas de Saúde Fluvial. Nesse período, 1.015 animais foram imunizados, sendo 770 cães e 245 gatos em comunidades das calhas dos rios Negro e Amazonas.

Nas áreas rurais terrestres, as equipes devem alcançar moradores de comunidades localizadas em ramais e vicinais das rodovias AM-010 e BR-174.

Com a ampliação das ações para os bairros de Manaus, a estratégia do município é manter elevada a cobertura entre os animais domésticos e reduzir a possibilidade de reintrodução da raiva no ciclo de transmissão envolvendo cães, gatos e seres humanos.

Conteúdo reproduzido da Prefeitura Municipal de Manaus.

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