O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone, nesta terça-feira (4), com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, sobre comércio bilateral, cooperação estratégica e os conflitos internacionais. Durante o diálogo, Lula defendeu que o Brasil amplie suas exportações para o mercado russo, com o objetivo de reduzir o desequilíbrio na relação comercial entre os dois países.
As informações foram divulgadas pela Agência Brasil, em reportagem assinada pelo jornalista Marcelo Brandão, com base em dados apresentados pelo Palácio do Planalto.
A ligação durou aproximadamente uma hora. Na pauta econômica, os presidentes destacaram a importância do fornecimento russo de diesel e fertilizantes ao mercado brasileiro, produtos considerados estratégicos para o abastecimento nacional e para o agronegócio.
Ao mesmo tempo, Lula manifestou interesse em ampliar a presença de produtos brasileiros na Rússia. A intenção é construir uma relação comercial mais equilibrada, com aumento das vendas de mercadorias produzidas no Brasil.
Os dois governos também demonstraram interesse em aprofundar parcerias nas áreas de energia, ciência, tecnologia e indústria naval. As discussões reforçam a tentativa de Brasília e Moscou de diversificar a cooperação para além da compra e venda de produtos.
Lula critica atuação do Conselho de Segurança
No campo geopolítico, Lula voltou a demonstrar insatisfação com a dificuldade do Conselho de Segurança das Nações Unidas em apresentar soluções para os conflitos em andamento no mundo.
O presidente brasileiro defendeu novamente o diálogo como caminho para a resolução de disputas e ressaltou as consequências humanitárias das guerras, especialmente a morte de civis.
A Rússia permanece diretamente envolvida no conflito com a Ucrânia. Desde o início da guerra, o governo brasileiro tem defendido negociações diplomáticas, sem aderir integralmente às posições adotadas por nenhuma das partes.
A defesa da solução pacífica de controvérsias também integra os princípios constitucionais que orientam as relações internacionais do Brasil.
Durante a ligação, Lula reiterou ainda o apoio brasileiro à candidatura da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas.
Brics e multilateralismo entram na pauta
O Brics também ocupou parte da conversa. Brasil e Rússia integram o grupo de países emergentes e mantêm articulação conjunta em temas econômicos, financeiros e diplomáticos.
Segundo o governo brasileiro, Lula e Putin concordaram em continuar trabalhando de forma coordenada nos fóruns internacionais, principalmente dentro do bloco.
Os dois presidentes também defenderam o multilateralismo, modelo no qual as decisões internacionais envolvem diferentes países e instituições, evitando a concentração de poder político e econômico em poucas nações.
A aproximação entre Brasil e Rússia ocorre em um cenário de disputas globais, sanções econômicas e reorganização das alianças internacionais. Para o governo brasileiro, manter canais de comunicação com diferentes potências faz parte da estratégia de ampliar a presença diplomática e comercial do país.
Em encontros anteriores, Lula já havia defendido o fortalecimento da parceria estratégica com Moscou e a participação do Brasil em iniciativas voltadas à negociação de uma saída política para o conflito entre Rússia e Ucrânia.
A conversa desta terça-feira reforçou a intenção dos dois governos de preservar o diálogo, ampliar as relações econômicas e atuar conjuntamente em instituições multilaterais, mesmo diante das tensões que marcam o atual cenário internacional.
Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.


