O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta sexta-feira (24), a ampliação dos investimentos nas Forças Armadas e na indústria brasileira de defesa. A declaração ocorreu durante uma visita às instalações da Avibras Aeroco, em Jacareí, no interior de São Paulo, empresa que retomou a produção após enfrentar uma prolongada crise financeira e trabalhista.
Segundo reportagem do jornalista Marcelo Brandão, da Agência Brasil, Lula afirmou que os militares precisam estar preparados tanto do ponto de vista operacional quanto científico e tecnológico. O presidente relacionou o fortalecimento da defesa à preservação da soberania nacional.
“Falando em paz, mas preparado para não deixar ninguém meter o nariz no nosso país”, declarou Lula durante o evento.
Presidente cita dimensões do território brasileiro
Ao defender novos investimentos, Lula destacou o tamanho do território nacional e a extensão das fronteiras brasileiras. O argumento apresentado pelo presidente é que um país com dimensões continentais precisa manter capacidade permanente de vigilância e proteção.
O Brasil possui fronteiras terrestres com quase todos os países da América do Sul, além de uma extensa costa marítima. Nesse cenário, o governo considera que o preparo militar também envolve pesquisa, desenvolvimento tecnológico e manutenção de uma indústria nacional capaz de fornecer equipamentos estratégicos.
O posicionamento reforça declarações recentes do presidente sobre a necessidade de modernização das Forças Armadas. Em junho, durante o lançamento de uma fragata construída no país, Lula também defendeu a criação de uma estratégia nacional de defesa e relacionou o investimento no setor ao aumento dos conflitos internacionais.
Avibras volta a produzir após anos de crise
A visita presidencial também marcou uma nova etapa para a Avibras, considerada uma das principais empresas brasileiras dos setores de defesa e tecnologia aeroespacial.
A companhia desenvolve sistemas de foguetes, mísseis, veículos especiais, soluções de propulsão e lançadores destinados a projetos militares e espaciais civis. A empresa se apresenta como detentora de tecnologias estratégicas em propulsão sólida e integração de sistemas complexos.
A produção foi retomada gradualmente em 2026, após anos de paralisações, disputas judiciais e dificuldades para pagar trabalhadores e fornecedores. A própria empresa havia informado, em fevereiro e março, que avançava em um processo de reestruturação para viabilizar o retorno das operações.
A crise levou a uma greve que durou 1.280 dias. O movimento começou em meio a atrasos salariais e demissões anunciadas durante o processo de recuperação judicial.
Dívida provocou recuperação judicial
A recuperação judicial da antiga Avibras foi apresentada em março de 2022, quando a empresa informou ter aproximadamente R$ 600 milhões em dívidas. Naquele período, foram anunciadas 420 demissões, posteriormente suspensas pela Justiça após uma ação apresentada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região.
O processo de reorganização também provocou mudanças no controle dos ativos e da operação industrial. A fábrica, as tecnologias e outros ativos considerados estratégicos passaram a integrar a estrutura da Avibras Aeroco, responsável pela retomada da produção de sistemas de defesa.
A reabertura representa uma tentativa de preservar conhecimentos técnicos acumulados ao longo de décadas, recuperar postos de trabalho e manter no Brasil a fabricação de equipamentos considerados sensíveis para a defesa nacional.
Retomada tem importância econômica e estratégica
Além da área militar, a recuperação da empresa pode movimentar uma cadeia formada por fornecedores, engenheiros, técnicos especializados e pesquisadores do setor aeroespacial.
Para o governo, manter empresas nacionais com capacidade de produzir sistemas complexos reduz a dependência de fornecedores estrangeiros. Também pode facilitar a manutenção dos equipamentos utilizados pelas Forças Armadas e ampliar a participação brasileira no mercado internacional de defesa.
A retomada, porém, ainda dependerá da recuperação financeira da companhia, da regularização das pendências trabalhistas e da obtenção de contratos capazes de manter a produção em funcionamento.
Durante o evento, representantes dos trabalhadores cobraram recursos para o pagamento de salários atrasados. O sindicato também entregou uma carta ao presidente solicitando que os investimentos anunciados para a empresa sejam liberados.
A agenda presidencial em Jacareí, confirmada pelo Palácio do Planalto, incluiu apresentações sobre o reinício das atividades industriais da Avibras.
Ao associar a retomada da fábrica à defesa da soberania, Lula sinalizou que o governo pretende tratar a indústria militar não apenas como uma fornecedora de armamentos, mas como um setor estratégico para ciência, tecnologia, empregos especializados e proteção do território brasileiro.
Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.


