Após manhã de tensão, greves no transporte são encerradas com acordos em Manaus

Transporte coletivo teve paralisação cancelada após garantia de pagamento dos salários; no Distrito Industrial, trabalhadores do fretamento fecharam acordo com reajuste de 5,5% e vale-alimentação de R$ 500.
Imagem Ilustrativa produzida com IA

Manaus enfrentou uma manhã de tensão no transporte nesta quinta-feira (20), com dois movimentos distintos envolvendo trabalhadores rodoviários. Enquanto uma greve no transporte coletivo urbano estava prevista para começar às 10h por causa de atrasos salariais, motoristas do transporte especial que atende o Distrito Industrial paralisaram as atividades e bloquearam pontos estratégicos da cidade. Ao longo do dia, os dois conflitos avançaram para acordos.

No sistema convencional de ônibus, a paralisação foi cancelada depois que houve a confirmação de que os salários dos trabalhadores seriam pagos entre esta quinta-feira e sexta-feira (21).

A informação foi confirmada pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano e Rodoviário de Manaus e Região Metropolitana, Givancir Oliveira, durante entrevista ao vivo ao programa Manhã no Ar, da TV A Crítica.

Segundo o dirigente sindical, a Prefeitura de Manaus já havia efetuado o repasse relacionado ao subsídio do passe livre estudantil. A partir disso, as empresas assumiram o compromisso de efetuar o pagamento da categoria.

“A prefeitura já fez sua parte em pagar o subsídio do passe livre dos estudantes, então, caindo o pagamento da categoria na conta, não tem mais por que falar em greve. Ela seria para forçar as empresas a pagar em dia, já que só nos pagam com atraso”, afirmou Givancir.

Sindicato reclama de atrasos recorrentes

De acordo com Givancir, a ameaça de retirada de parte da frota das ruas foi adotada como forma de pressionar as empresas a regularizarem os salários.

O presidente do sindicato afirmou que os atrasos acabam atingindo diretamente o orçamento dos trabalhadores, que precisam cumprir compromissos como aluguel, mensalidades escolares e faturas de cartão de crédito.

Segundo ele, quando os vencimentos não são pagos dentro do prazo, os trabalhadores acabam arcando com juros e outros encargos provocados pelo atraso.

Foto – Divulgação/IMMU

Transporte especial do Distrito Industrial parou

Enquanto a possibilidade de greve no transporte coletivo urbano era afastada, os trabalhadores do transporte especial mantiveram uma paralisação que atingiu as rotas responsáveis pelo deslocamento de funcionários das empresas do Polo Industrial de Manaus.

Segundo informações divulgadas pelo g1 Amazonas, a mobilização atingiu 100% da categoria após os trabalhadores rejeitarem uma proposta de reajuste salarial de 3% apresentada pelo setor patronal.

Além de reajuste salarial, os trabalhadores reivindicavam redução da jornada, ampliação do auxílio-alimentação e melhorias nas condições de trabalho.

Durante a paralisação, ônibus ficaram concentrados em diferentes regiões da cidade e houve reflexos no trânsito.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Especiais de Manaus (Sindespecial), a mobilização alcançou 12 pontos da capital.

Entre os locais citados estavam trechos da Avenida Grande Circular, Bola da Suframa, Bola da Samsung, avenidas Max Teixeira e Torquato Tapajós, além da Avenida Pedro Teixeira e da cabeceira da Ponte Rio Negro.

Trabalhadores relatam transtornos

A paralisação das rotas também afetou funcionários que dependem dos ônibus fretados para chegar às fábricas.

Um trabalhador identificado como Francisco relatou à Rede Amazônica que deveria ter chegado à empresa ainda no início da manhã, mas foi surpreendido pela suspensão das rotas.

Outro motorista, identificado como Antônio, afirmou à emissora que o movimento buscava melhores condições salariais e, principalmente, melhoria no benefício destinado à alimentação dos trabalhadores.

Suframa alertou para risco de impacto na produção

Com a dificuldade de deslocamento de trabalhadores para as fábricas, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) divulgou nota alertando que a continuidade da paralisação poderia provocar redução ou até interrupção de linhas de produção no Polo Industrial de Manaus.

A autarquia informou que acionou formalmente a Polícia Militar do Amazonas, o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e a Procuradoria Regional do Trabalho da 11ª Região.

Segundo a Suframa, os bloqueios atingiram importantes vias de acesso ao Distrito Industrial e comprometeram o deslocamento de um contingente expressivo de trabalhadores.

A autarquia também alertou para possíveis consequências sobre cadeias de suprimento, cumprimento de prazos contratuais e a atividade econômica relacionada ao modelo Zona Franca de Manaus.

A Suframa solicitou aos órgãos competentes medidas para garantir condições de circulação nas vias afetadas, preservando, ao mesmo tempo, o direito de manifestação dos trabalhadores.

Indústrias acompanharam os efeitos da paralisação

O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) também manifestou preocupação com os efeitos da mobilização.

Segundo a entidade, algumas empresas já enfrentavam dificuldades ou paralisações em linhas de produção em razão da impossibilidade de parte dos funcionários chegar às fábricas.

O Cieam defendeu a retomada do diálogo entre empresas e trabalhadores para evitar o aumento dos prejuízos à atividade industrial.

A Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) informou que acompanhava a situação e realizava levantamento junto às empresas associadas para avaliar os impactos da paralisação.

O IMMU, por sua vez, informou que a mobilização não tinha relação com a Prefeitura de Manaus e que as reivindicações eram direcionadas às empresas do setor. Agentes de trânsito foram enviados aos locais afetados para orientar motoristas e organizar o fluxo de veículos.

Acordo garante reajuste de 5,5%

Após novas rodadas de negociação, o impasse envolvendo os trabalhadores do transporte especial chegou a um acordo.

Segundo Givancir Oliveira, a categoria conquistou reajuste salarial de 5,5%.

O percentual ficou acima da proposta inicial de 3% apresentada pelo setor patronal, mas abaixo dos 7% que haviam sido reivindicados inicialmente pelos trabalhadores.

Além do reajuste, o acordo garantiu uma mudança significativa no auxílio-alimentação.

O benefício, que era de R$ 165, passa para R$ 500, representando aumento de R$ 335.

“Conseguimos R$ 500 de vale-alimentação e 5,5% para a categoria”, afirmou Givancir.

A definição encerrou o principal impasse salarial que levou os motoristas do transporte especial à paralisação.

Dia termina com os dois conflitos encaminhados

Depois de uma manhã marcada por ameaça de greve, paralisação, congestionamentos e preocupação com possíveis impactos no Polo Industrial, os dois movimentos terminaram com encaminhamentos diferentes.

No transporte coletivo urbano, a greve foi cancelada após a garantia de pagamento dos salários.

Já entre os trabalhadores do transporte especial, o movimento terminou com acordo que estabeleceu reajuste de 5,5% nos salários e elevou o vale-alimentação de R$ 165 para R$ 500.

A mobilização também expôs novamente dois problemas que afetam setores distintos do transporte em Manaus: de um lado, a reclamação dos rodoviários sobre atrasos salariais; do outro, a disputa por salários, jornada e benefícios dos profissionais responsáveis pelo deslocamento de milhares de trabalhadores do Distrito Industrial.

Confira o documento do acordo:

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