A possível formação de um El Niño de intensidade moderada a forte no segundo semestre de 2026 colocou autoridades de saúde em alerta para o risco de aumento dos casos de dengue e chikungunya no Brasil. A preocupação está relacionada às mudanças de temperatura e ao volume de chuvas, condições que podem favorecer a reprodução do mosquito Aedes aegypti.
De acordo com reportagem de Matheus Crobelatti, da Agência Brasil, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) avalia que o fenômeno climático poderá ganhar força nos próximos meses. Diante das projeções, o Ministério da Saúde encaminhou uma nota técnica aos estados e municípios recomendando a antecipação das ações de prevenção.

Brasil pode ter 1,7 milhão de casos de dengue
Estimativas elaboradas pelo InfoDengue, sistema ligado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indicam que o país poderá registrar aproximadamente 1,7 milhão de casos de dengue em 2027.
A projeção não representa uma confirmação do número de infectados, mas serve como ferramenta de planejamento para o Sistema Único de Saúde (SUS). Os cálculos podem ser atualizados ao longo dos próximos meses, conforme novos dados climáticos e epidemiológicos forem incluídos nos modelos.
O El Niño provoca alterações na circulação atmosférica e pode modificar o padrão de chuvas em diferentes regiões do país. Em locais onde há combinação de temperaturas elevadas e maior precipitação, recipientes, terrenos e áreas descobertas podem acumular água com mais facilidade.
Esse ambiente favorece a formação de criadouros do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika.
Ministério recomenda ações antecipadas
Entre as medidas indicadas pelo Ministério da Saúde está a realização de bloqueios de transmissão assim que os primeiros casos forem identificados. A estratégia inclui visitas aos imóveis localizados nas proximidades da residência ou do local frequentado pelo paciente.
A pasta também recomenda que as administrações municipais reorganizem o trabalho dos agentes de combate às endemias e ampliem o uso das tecnologias de controle do mosquito autorizadas pelo governo federal.
A antecipação dessas iniciativas é considerada importante porque o ciclo de reprodução do Aedes aegypti pode ser acelerado pelas altas temperaturas. Quando as ações de controle demoram a começar, o mosquito pode se espalhar rapidamente por diferentes bairros.
Além do impacto sobre os serviços de saúde, surtos de arboviroses provocam afastamentos do trabalho, aumento da procura por unidades de atendimento e maior demanda por leitos hospitalares.
População deve eliminar criadouros
O combate ao mosquito também depende da colaboração dos moradores. A recomendação é verificar semanalmente caixas-d’água, calhas, vasos de plantas, pneus, garrafas, ralos e outros objetos que possam acumular água.
Também é necessário manter reservatórios devidamente fechados, limpar recipientes utilizados por animais e descartar corretamente materiais abandonados em quintais e terrenos.
O Ministério da Saúde orienta a população a procurar atendimento médico diante de sintomas como febre, dor de cabeça, manchas na pele, dores musculares e articulares, náuseas ou cansaço intenso.
Em casos suspeitos de dengue, medicamentos que contenham ácido acetilsalicílico devem ser evitados sem orientação profissional, devido ao risco de sangramentos.
Casos apresentaram queda em 2026
Apesar do alerta para os próximos meses, os registros de dengue e chikungunya diminuíram no Brasil em 2026.
Até 20 de junho, o país havia contabilizado 392,8 mil casos de dengue, redução de 73% em comparação com o mesmo período de 2025. Os casos de chikungunya apresentaram queda de 46%.
Os números, no entanto, não afastam a necessidade de prevenção. A circulação dos vírus, somada às condições climáticas favoráveis, pode provocar uma nova elevação das notificações.
A orientação das autoridades é aproveitar o atual período de redução para reforçar a vigilância, preparar a rede de atendimento e eliminar focos do mosquito antes da chegada da temporada de maior risco.
Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.


