Construção naval ganha protagonismo e amplia alcance da TranspoAmazônia 2027

Feira será realizada de 19 a 21 de maio, em Manaus, e passa a incorporar oficialmente a indústria naval; organização também aposta em cabotagem, inovação e novos investimentos para superar R$ 1 bilhão em negócios.

A indústria da construção naval do Amazonas será uma das principais protagonistas da TranspoAmazônia 2027, marcada para os dias 19, 20 e 21 de maio, no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus. A próxima edição chega ampliada e passa a adotar oficialmente o nome Feira e Congresso Internacional de Transporte, Logística e Construção Naval.

A mudança foi anunciada durante o lançamento oficial da quarta edição do evento, que reuniu representantes do setor empresarial, autoridades e profissionais da imprensa. A intenção dos organizadores é aproveitar a dimensão da atividade naval na Amazônia para transformar a feira também em uma vitrine de estaleiros, fornecedores, tecnologias e novos projetos relacionados ao transporte pelos rios.

Segundo informações divulgadas pela Press Comunicação Estratégica, responsável pela comunicação do evento, a ampliação da TranspoAmazônia atende a uma demanda apresentada pelo próprio setor produtivo.

Amazonas concentra mais de 300 estaleiros

A aposta na construção naval está diretamente ligada às características econômicas e geográficas da região.

Dados reunidos pela organização, com base em levantamentos do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), do Governo do Amazonas e de outras instituições, apontam que o estado possui mais de 300 estaleiros de diferentes portes.

A frota regional seria formada ainda por aproximadamente 5 mil embarcações, responsáveis por grande parte do deslocamento de mercadorias e passageiros entre Manaus e os municípios do interior.

De acordo com os números apresentados pelos organizadores, cerca de 95% do abastecimento de produtos essenciais dos municípios amazonenses depende do transporte por embarcações.

Em Manaus, os estaleiros ocupam aproximadamente 20% da orla da cidade, segundo os dados apresentados no material de divulgação do evento.

Esses números ajudam a explicar por que a organização decidiu colocar o setor naval no centro da programação de 2027.

Setor movimenta bilhões e emprega milhares

Além da importância logística, a indústria naval também possui peso econômico relevante no Amazonas.

Dados do Sinaval referentes a 2023, citados pela organização da feira, estimam em aproximadamente R$ 2,5 bilhões o faturamento anual do polo naval amazonense.

O levantamento menciona ainda 233 obras contratadas e mais de 15 mil empregos diretos relacionados à atividade no estado.

A expectativa do setor é de expansão diante da retomada de linhas de financiamento destinadas à construção de embarcações.

Nos últimos três anos, conforme os dados apresentados no lançamento, a Região Norte recebeu R$ 406,7 milhões em investimentos, com recursos relacionados ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ao Fundo da Marinha Mercante.

O volume teria possibilitado a entrega de 70 embarcações.

Entre os empreendimentos destacados pela organização está o estaleiro Juruá, em Iranduba, que recebeu visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio deste ano durante uma agenda ligada ao setor naval.

Feira quer transformar vocação regional em novos negócios

Para o presidente da Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (Fetramaz) e idealizador da TranspoAmazônia, Irani Bertolini, a inclusão oficial da construção naval amplia o papel da feira nas discussões sobre desenvolvimento regional.

Segundo Bertolini, o Amazonas reúne condições naturais e econômicas para ampliar sua participação no mercado naval brasileiro e latino-americano.

“Com a inclusão da construção naval na TranspoAmazônia 2027, queremos colaborar com o setor público, a sociedade e tirar do papel projetos para desenvolver o estado, gerar emprego e renda de modo sustentável, sem derrubar nenhuma árvore”, afirmou.

O presidente da Fetramaz também destaca que embarcações fabricadas no Amazonas já operam em diferentes regiões do Brasil e atendem segmentos como transporte de petróleo, grãos e minérios.

A inclusão da atividade naval na feira pretende justamente aproximar estaleiros, fornecedores, investidores, transportadores, empresas de tecnologia e representantes do poder público.

Cabotagem ganha espaço no debate

A TranspoAmazônia 2027 também pretende ampliar as discussões sobre cabotagem, modalidade de transporte de cargas realizada entre portos brasileiros.

O tema aparece como uma alternativa para ampliar a integração logística entre o Norte e outras regiões do país, especialmente diante da dependência brasileira do transporte rodoviário de longa distância.

Na Amazônia, onde os rios funcionam como verdadeiras rodovias naturais, o debate sobre cabotagem se conecta diretamente à indústria naval.

A proposta da organização é discutir de que maneira embarcações produzidas na região podem participar de corredores logísticos destinados ao transporte de mercadorias entre o Amazonas e outros estados.

Além da construção naval e da cabotagem, a programação deverá abordar temas como tecnologia, inovação, segurança, sustentabilidade e eficiência logística.

60% dos espaços já foram comercializados

O crescimento da feira também pode ser percebido na procura de empresas interessadas em participar da próxima edição.

Segundo os organizadores, 60% dos estandes e demais espaços da TranspoAmazônia 2027 já estavam comercializados dez meses antes da realização do evento.

A expectativa é de uma edição maior tanto em número de expositores quanto em volume de negócios.

A organização estabeleceu como meta superar os R$ 1 bilhão em negócios atribuídos à edição de 2026.

Para Irani Bertolini, existe espaço para ampliar o interesse de investidores pela economia amazônica.

“O mercado amazônico tem um potencial gigantesco e ainda pouco explorado. A TranspoAmazônia nasceu para conectar quem produz com quem entrega”, afirmou.

Segundo ele, a edição de 2027 pretende ampliar esse diálogo e atrair novos investimentos para atividades relacionadas ao transporte e à logística regional.

Rios passam ao centro da estratégia de desenvolvimento

A transformação da TranspoAmazônia acompanha uma característica determinante da economia regional: no Amazonas, grande parte da circulação de pessoas e mercadorias ocorre pela água.

Em municípios sem conexão rodoviária com Manaus, as embarcações são fundamentais para transportar desde alimentos e combustíveis até materiais de construção, medicamentos e equipamentos.

Por isso, o fortalecimento da construção naval possui reflexos que vão além dos próprios estaleiros.

A atividade movimenta cadeias ligadas à metalurgia, motores, peças, equipamentos, serviços técnicos, manutenção, logística e formação de mão de obra especializada.

Ao colocar o segmento no centro da programação, a TranspoAmazônia 2027 busca ampliar a discussão sobre como essa vocação histórica pode ser convertida em investimentos, empregos, modernização da frota e maior integração logística.

A quarta edição deverá, portanto, representar uma mudança importante no perfil do evento: de uma feira concentrada principalmente em transporte e logística para uma plataforma que coloca a própria capacidade de construir embarcações na Amazônia como parte da estratégia de desenvolvimento econômico da região.

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