A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) lançou uma campanha nacional para ampliar a conscientização sobre a prevenção do vírus sincicial respiratório, principal causador de bronquiolite em bebês e crianças pequenas.
Batizada de Todos contra o VSR – Proteção desde o Início, a iniciativa busca orientar gestantes, famílias e profissionais da saúde sobre as formas disponíveis de imunização contra o vírus, que pode provocar quadros respiratórios graves principalmente nos primeiros meses de vida.
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, em reportagem da jornalista Ana Cristina Campos, o vírus sincicial respiratório é responsável por aproximadamente 80% dos casos de bronquiolite e por até 60% das pneumonias registradas em crianças menores de 2 anos.
Mais de 21 mil casos graves foram confirmados no país
Dados do Ministério da Saúde apresentados pela SBIm mostram que o Brasil confirmou, em 2026, 21.398 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave provocados pelo VSR.
Desse total, 246 pacientes morreram em decorrência das complicações relacionadas à infecção.
As crianças menores de 2 anos concentram a maior parte das ocorrências. Foram registrados 17.081 casos e 109 mortes nessa faixa etária, o que reforça o alerta para a adoção de medidas de proteção desde a gestação.
A atenção deve ser ainda maior nos primeiros meses após o nascimento. De acordo com a entidade, mais da metade das internações relacionadas ao vírus ocorre nos dois primeiros meses de vida. Quando considerados os três primeiros meses, essa proporção chega a dois terços.
Proteção pode começar durante a gravidez
Uma das principais estratégias para proteger o recém-nascido é a vacinação da gestante. A imunização estimula a produção de anticorpos, que são transferidos para o bebê durante a gravidez.
Com isso, a criança já nasce com uma proteção contra o vírus durante o período em que está mais vulnerável a complicações respiratórias.
A coordenadora da campanha e diretora da SBIm, Isabella Ballalai, destaca que a imunização é essencial para reduzir os riscos enfrentados pelos bebês nos primeiros meses de vida.
Atualmente, o Programa Nacional de Imunizações oferece a vacina contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez.
Anticorpo também é oferecido para bebês de grupos prioritários
Outra forma de prevenção é a aplicação de anticorpos monoclonais. Diferentemente da vacina, que estimula o próprio organismo a produzir defesa, esse recurso fornece anticorpos prontos para combater o vírus.
Pelo Sistema Único de Saúde, o anticorpo é destinado a bebês prematuros, nascidos com menos de 37 semanas de gestação, até os 6 meses de idade, além de crianças menores de 2 anos que apresentam determinadas comorbidades.
A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda que a possibilidade de uso também seja avaliada para outros grupos, incluindo crianças prematuras durante o primeiro ano de vida e menores de 2 anos sem doenças preexistentes.
A indicação deve ser analisada pelo pediatra, considerando a idade, as condições de saúde da criança e o risco individual de desenvolver formas graves da infecção.
Relatos de famílias integram campanha
A nova campanha utiliza depoimentos de médicos e de mães que enfrentaram casos graves do vírus sincicial respiratório dentro de casa.
Entre os participantes está o médico Drauzio Varella. Os vídeos procuram demonstrar, por meio de experiências reais, como uma infecção respiratória pode evoluir rapidamente e provocar internações, complicações ou mortes.
Segundo a SBIm, os relatos ajudam a aproximar o tema da realidade das famílias e a mostrar que o VSR não representa apenas uma sigla médica, mas uma doença capaz de afetar diretamente bebês, pais e responsáveis.
Conteúdo será divulgado nas redes sociais
Além dos depoimentos, a iniciativa prevê a publicação de videoaulas voltadas para profissionais da saúde e de materiais educativos destinados à população.
Os conteúdos serão distribuídos por meio de um site específico da campanha, redes sociais, e-mail e WhatsApp. Também estão previstas publicações no Instagram, YouTube, TikTok e Facebook.
A mobilização é apoiada pela Organização Pan-Americana da Saúde, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância e por entidades médicas e de saúde pública.
Também participam a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, as sociedades brasileiras de Pediatria e Infectologia, o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde e a organização Prematuridade.com.
A orientação é que gestantes e responsáveis por crianças pequenas procurem uma unidade de saúde ou conversem com um profissional habilitado para verificar as recomendações de imunização aplicáveis a cada caso.
Conteúdo reproduzido da Agência Brasil


