A realidade financeira de milhões de brasileiros muda pouco quando chega a aposentadoria: para uma parcela expressiva da população, envelhecer significa continuar dependendo de uma renda limitada e enfrentar novos riscos, como empréstimos abusivos, fraudes e violência patrimonial.
O cenário é tema da reportagem especial “O relógio financeiro da longevidade”, do programa Caminhos da Reportagem, exibido nesta segunda-feira (10) pela TV Brasil e também disponibilizado no canal da emissora no YouTube.
Segundo informações divulgadas pela TV Brasil, seis em cada 10 brasileiros com 60 anos ou mais dependem de benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Aposentadoria revela desigualdades acumuladas durante a vida
Dados do Ministério da Previdência apresentados pela reportagem mostram que, embora o teto dos benefícios previdenciários esteja atualmente em R$ 8.475,55, a média recebida pelos aposentados é de aproximadamente R$ 3.207,05.
A diferença ajuda a mostrar como as condições econômicas construídas ao longo da vida profissional acompanham o brasileiro durante o envelhecimento.
O secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, Alexandre da Silva, destacou à reportagem que enquanto determinados grupos conseguem chegar aos 80 anos com reservas financeiras e melhores condições de saúde e segurança, outros envelhecem praticamente sem patrimônio ou proteção econômica.
A especialista em finanças e CEO do Movimento Black Money, Nina Silva, também chamou atenção para as desigualdades salariais acumuladas ao longo da trajetória profissional.
Segundo ela, trabalhadores pretos e pardos recebem remunerações significativamente inferiores às de trabalhadores brancos, situação que acaba se refletindo posteriormente no valor das aposentadorias.
Educação financeira passa a ser questão de proteção
Outro desafio apontado pela reportagem é ampliar o acesso da população idosa à educação financeira.
A dificuldade para compreender contratos, operações bancárias digitais, empréstimos consignados e novas modalidades de fraude pode aumentar a vulnerabilidade de pessoas mais velhas.
Além dos golpes praticados por criminosos desconhecidos, autoridades também acompanham situações de violência patrimonial, quando dinheiro, documentos ou bens de uma pessoa são apropriados, utilizados ou destruídos sem autorização.
De acordo com Franciely Almeida, coordenadora-geral do Disque 100, mais de 59 mil denúncias relacionadas a violações patrimoniais contra pessoas idosas foram registradas em 2025.
Em 2026, o número já ultrapassava 19 mil denúncias no período apresentado pela reportagem.
Família também pode estar envolvida
Um dos relatos apresentados pelo Caminhos da Reportagem mostra que os riscos podem surgir dentro da própria família.
O servidor público Flávio Amorim contou que sua mãe, professora aposentada, teve a conta bancária acessada enquanto enfrentava problemas graves de saúde.
De acordo com o relato, cinco empréstimos consignados teriam sido realizados, provocando um prejuízo estimado em R$ 370 mil.
O caso evidencia uma dificuldade adicional enfrentada pelas autoridades: muitas vítimas dependem justamente de familiares ou pessoas próximas para administrar documentos, celulares e operações financeiras.
Envelhecimento aumenta importância do planejamento
Com o aumento da expectativa de vida, a discussão sobre aposentadoria passa a envolver não apenas quanto uma pessoa receberá ao deixar o mercado de trabalho, mas também por quantos anos essa renda precisará sustentar despesas com alimentação, moradia, medicamentos e cuidados de saúde.
Especialistas ouvidos pela TV Brasil defendem iniciativas capazes de ampliar a educação financeira, reduzir fraudes e interromper ciclos de pobreza que atravessam diferentes gerações.
A reportagem também ouviu vítimas, policiais, defensores públicos e educadores financeiros para mostrar formas de identificação de golpes e caminhos disponíveis para buscar ajuda diante de suspeitas de violência patrimonial.
Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.


