Brasil testa plataforma espacial que pode impulsionar pesquisas em medicamentos e agricultura

Missão no Rio Grande do Norte avalia sistema capaz de recuperar equipamentos enviados a cerca de 100 quilômetros de altitude para estudos em microgravidade.
Foto: CECOMSAER

O Brasil iniciou uma nova etapa de testes voltada à ampliação das pesquisas científicas em ambiente de microgravidade. A Operação Potiguar 2 ocorre no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, e segue até 19 de setembro.

As informações foram divulgadas pela Agência Brasil, em reportagem do jornalista Rafael Cardoso, com base em dados da Força Aérea Brasileira (FAB) e da Agência Espacial Brasileira (AEB).

O principal objetivo da missão é testar, em condições reais de voo, o sistema de recuperação da Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável (PSM-R). A tecnologia foi desenvolvida para permitir que equipamentos e experimentos enviados ao espaço retornem à superfície e possam ser analisados pelos pesquisadores.

A possibilidade de recuperar a carga é considerada estratégica porque amplia o aproveitamento científico das missões. Após o voo, os equipamentos podem ser avaliados e os dados coletados servem de base para aperfeiçoar sistemas e desenvolver novos projetos.

Microgravidade abre espaço para diferentes pesquisas

O ambiente de microgravidade oferece condições diferentes das encontradas na superfície da Terra e pode ser utilizado em pesquisas de diversas áreas.

Entre as possibilidades estão estudos relacionados a materiais, fluidos, combustão, biologia, desenvolvimento de medicamentos e agricultura espacial.

A plataforma será levada ao espaço pelo veículo de sondagem VS-30 V16, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

A missão está programada dentro do período entre 31 de agosto e 19 de setembro e mobiliza aproximadamente 160 militares e servidores civis nas etapas de preparação, integração, lançamento e recuperação da carga.

Foguete pode chegar a 100 quilômetros de altitude

O VS-30 V16 possui aproximadamente 9 metros de comprimento, diâmetro de 600 milímetros e massa próxima de 1,6 tonelada.

De acordo com as simulações realizadas antes da missão, o veículo poderá atingir cerca de 100 quilômetros de altitude e percorrer aproximadamente 90 quilômetros durante o voo.

A PSM-R, que será transportada como carga útil, possui massa estimada em 401 quilos.

A estrutura reúne diferentes sistemas necessários para o funcionamento durante a missão e para o retorno à superfície. Entre eles estão paraquedas, módulos para experimentos, módulo de serviço e controle, sistema de gás frio e mecanismos usados no controle da rotação da plataforma.

Um dos dispositivos é chamado de ioiô, utilizado para auxiliar na redução da velocidade de rotação antes da separação da carga útil.

Segunda fase amplia testes realizados em 2024

A Operação Potiguar 2 dá continuidade aos trabalhos iniciados na primeira fase, realizada em 2024.

Na ocasião, os testes ficaram concentrados principalmente nos procedimentos e sistemas associados ao lançamento. Agora, o foco está na avaliação do conjunto responsável pela recuperação da plataforma após o voo.

Durante a missão, os equipamentos serão monitorados por sistemas de telemetria e rastreamento. Depois que a carga retornar à superfície, as informações registradas serão analisadas pelas equipes envolvidas no projeto.

O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno também coordena os protocolos de segurança e o acompanhamento da trajetória do veículo.

A operação exige integração com órgãos responsáveis pelo controle do espaço aéreo e marítimo durante as diferentes etapas do lançamento.

Programa busca ampliar pesquisas espaciais brasileiras

Segundo a Agência Espacial Brasileira, a PSM-R está vinculada ao Programa Microgravidade, iniciativa responsável pela seleção de experimentos científicos e tecnológicos destinados a missões suborbitais e orbitais.

A expectativa é que o avanço da plataforma permita que diferentes grupos de pesquisa utilizem a estrutura em futuras experiências científicas realizadas fora das condições normais de gravidade da Terra.

O desenvolvimento de um sistema recuperável também pode reduzir perdas de equipamentos e facilitar a análise detalhada dos experimentos após as missões.

Centro acumula mais de 400 lançamentos

O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno foi inaugurado em 1965 e se tornou o primeiro centro de lançamentos espaciais da América do Sul.

Segundo a FAB, a unidade já participou de mais de 400 lançamentos de foguetes e acompanhou mais de 3 mil veículos ao longo de sua história.

Entre as operações realizadas estão o rastreamento de foguetes Ariane, em cooperação com a Agência Espacial Europeia, e o apoio ao monitoramento de veículos lançados pelo Centro de Lançamento de Alcântara.

O resultado da Operação Potiguar 2 deverá indicar se o sistema de recuperação está preparado para apoiar novas missões e ampliar a utilização da plataforma brasileira em experimentos científicos no espaço.

Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.

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