Brasil e Coreia do Sul retomam articulação por acordo comercial com Mercosul

Grupo de trabalho coordenado por Geraldo Alckmin deverá avaliar entraves nas negociações; países também ampliaram parcerias em defesa, educação, energia, tecnologia e minerais críticos.
Foto: Ricardo Stuckert

O Brasil e a Coreia do Sul decidiram intensificar as negociações para um possível acordo comercial entre o país asiático e o Mercosul. A iniciativa foi anunciada nesta segunda-feira (27), após reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente sul-coreano, Lee Jae-Myung, no Palácio da Alvorada, em Brasília.

Segundo informações publicadas pelo repórter Marcelo Brandão, da Agência Brasil, os dois governos criarão um grupo de trabalho para identificar os setores considerados mais sensíveis nas economias envolvidas e buscar alternativas que permitam a retomada das tratativas.

O grupo será coordenado pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

Negociação busca superar resistências comerciais

As discussões envolvendo Mercosul e Coreia do Sul enfrentam dificuldades relacionadas à abertura de determinados mercados, especialmente em áreas nas quais produtores nacionais temem uma concorrência maior de produtos importados.

O objetivo do novo grupo será mapear essas preocupações e construir condições para que as negociações avancem sem provocar desequilíbrios significativos para as indústrias dos dois lados.

Lula afirmou que as chamadas “sensibilidades” não devem impedir a retomada das conversas. O Mercosul tem como membros Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além de países associados ao bloco.

Para o governo brasileiro, um acordo poderá ampliar o acesso de produtos nacionais ao mercado asiático e diversificar os destinos das exportações brasileiras.

Presidente sul-coreano defende acordo imediato

Durante a declaração conjunta, Lee Jae-Myung afirmou que o cenário de incertezas no comércio internacional reforça a necessidade de aproximação entre as duas economias.

Segundo o presidente sul-coreano, um acordo entre a Coreia do Sul e o Mercosul abriria novas oportunidades para empresas coreanas na América do Sul. Ao mesmo tempo, poderia transformar o país asiático em uma porta de entrada para produtos brasileiros em outros mercados da região.

A declaração ocorre em um momento de tensões e mudanças nas relações comerciais internacionais, com a adoção de tarifas e medidas de proteção econômica por diferentes países.

Nesse cenário, o governo brasileiro vem buscando ampliar acordos e reduzir a dependência de poucos parceiros comerciais.

Minerais críticos entram no centro da parceria

Brasil e Coreia do Sul também avançaram nas discussões envolvendo minerais críticos, utilizados na fabricação de baterias, equipamentos eletrônicos, painéis solares, turbinas eólicas e veículos elétricos.

O Brasil possui reservas consideradas estratégicas para a transição energética e para a indústria de tecnologia. Já a Coreia do Sul concentra grandes empresas nos setores automobilístico, eletrônico e de produção de semicondutores.

Lee Jae-Myung afirmou que os dois países pretendem expandir a cooperação em todas as etapas da cadeia produtiva dos minerais, desde a extração até o processamento e a utilização industrial.

A parceria poderá contribuir para garantir uma oferta mais estável desses materiais à indústria sul-coreana e, ao mesmo tempo, estimular investimentos, transferência de tecnologia e agregação de valor à produção brasileira.

Países assinam acordos em diferentes setores

Além da área comercial, os governos assinaram compromissos de cooperação em educação, defesa, energia, ciência, tecnologia, indústria, espaço e esporte.

Na educação, a proposta prevê o intercâmbio de experiências em políticas públicas e uma aproximação maior entre universidades e instituições de ensino dos dois países.

Também foi firmado um memorando de entendimento para a cooperação entre agências responsáveis por atividades espaciais de caráter pacífico.

Na área industrial, o acordo prevê o desenvolvimento de pesquisas, projetos de inovação e novas tecnologias aplicadas aos processos de produção.

No esporte, Brasil e Coreia do Sul deverão ampliar intercâmbios entre atletas, treinadores e especialistas, além de compartilhar experiências na formulação de políticas públicas.

Líderes defendem diálogo e solução pacífica de conflitos

Durante os pronunciamentos, Lula e Lee Jae-Myung também destacaram a defesa da democracia, do diálogo entre as nações e da solução pacífica de conflitos internacionais.

Lula afirmou que Brasil e Coreia do Sul enfrentaram ataques de setores extremistas contra suas instituições democráticas e declarou que os países continuarão defendendo o multilateralismo.

O presidente sul-coreano reforçou que a paz é uma condição essencial para a segurança e para o desenvolvimento econômico, sem a necessidade de conflitos armados.

Após a agenda oficial em Brasília, Lee Jae-Myung deverá seguir para São Paulo, onde está prevista uma visita a um sindicato de metalúrgicos.

A capital paulista concentra a maior comunidade coreana do Brasil. Segundo dados apresentados durante a visita, mais de 50 mil coreanos vivem no país, que reúne a maior população de origem coreana da América Latina.

Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.

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