Atos em várias cidades pressionam Câmara a votar PL que criminaliza misoginia

Projeto já passou pelo Senado e prevê prisão de dois a cinco anos para crimes motivados por violência, discriminação ou ódio contra mulheres.
Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

Mulheres, movimentos sociais e apoiadores realizaram manifestações em diferentes cidades brasileiras para cobrar da Câmara dos Deputados a votação do Projeto de Lei 896/2023, conhecido como PL da Misoginia. Os atos ocorreram neste domingo (2), em todas as regiões do país.

A proposta foi aprovada pelo Senado e tramita em regime de urgência na Câmara. O texto ainda depende de encaminhamento do presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), para ser incluído na pauta do plenário.

De acordo com reportagem da Agência Brasil, a mobilização foi organizada pelo Levante Mulheres Vivas e teve como principal objetivo pressionar os parlamentares pela análise da matéria após a retomada das sessões deliberativas.

Foto: Tomaz Silva e Marcelo Camargo / Agência Brasil

O que prevê o projeto

O PL altera a Lei 7.716/1989, que trata dos crimes de discriminação e preconceito, e passa a incluir condutas motivadas pela condição de mulher.

Pelo texto, a misoginia é caracterizada pela prática, indução ou incitação à violência, pela restrição ao exercício de direitos ou por ofensas à dignidade feminina em razão de a vítima ser mulher.

A proposta estabelece pena de dois a cinco anos de prisão. A condição de mulher também é acrescentada ao dispositivo que trata do crime de injúria relacionada à raça, cor, etnia e procedência nacional.

Manifestações ocorreram em várias regiões

Os atos foram registrados em cidades como Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Curitiba, Belo Horizonte, Boa Vista, Campo Grande e João Pessoa.

Também houve mobilizações em municípios do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Bahia, Piauí e São Paulo.

Os participantes exibiram cartazes com mensagens de combate à misoginia, ao feminicídio e à propagação de discursos de ódio contra mulheres, especialmente nas redes sociais.

Foto: Tomaz Silva e Marcelo Camargo / Agência Brasil

Violência digital preocupa movimentos

Segundo Rachel Ripani, cofundadora do Levante Mulheres Vivas, o movimento reúne mulheres, organizações feministas e homens preocupados com o avanço da violência contra o público feminino.

Ela afirmou à Agência Brasil que os discursos de ódio disseminados no ambiente digital passaram a representar riscos que vão além das redes sociais e podem estimular crimes no mundo real.

A representante do movimento citou como exemplos conteúdos que incentivam violência sexual, divulgação de imagens falsas de nudez e práticas de humilhação contra meninas e mulheres.

Os defensores da proposta argumentam que o projeto não tem como objetivo impedir opiniões ou restringir a liberdade religiosa, mas estabelecer punições para condutas que incentivem violência, discriminação ou retirada de direitos.

Tramitação enfrenta resistência

Durante a análise da proposta no Congresso, parlamentares e representantes de setores religiosos levantaram dúvidas sobre possíveis impactos do texto na liberdade de expressão e na realização de pregações religiosas.

Segundo os organizadores da mobilização, as discussões buscam construir uma redação objetiva, capaz de diferenciar manifestação de opinião de condutas consideradas criminosas.

A expectativa dos movimentos é que o projeto seja pautado após a retomada das sessões plenárias da Câmara, prevista para a semana de 10 de agosto.

A Agência Brasil informou que procurou a assessoria do presidente da Câmara, Hugo Motta, mas não havia recebido resposta até a publicação da reportagem. O espaço foi mantido aberto para manifestação do parlamentar.

Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.

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